Convergência Digital
Werner Vogels é hoje vice-presidente e CTO (Chief Technology Officer) da Amazon Web Services, onde é responsável pelo direcionamento tecnológico da companhia. Antes de se unir à AWS, ele foi pesquisador da Universidade de Cornell, com foco em escalabilidade e robustez de sistemas computacionais de missão crítica. Em entrevista exclusiva ao Convergência Digital, o executivo falou de sua visão de nuvem e as dúvidas do mercado em relação à sua utilização. Acompanhe:
Convergência Digital – A nuvem é realmente mais barata que uma estrutura interna?
Werner Voguels – Sob a perspectiva da Amazon Web Services, ainda não encontramos um cliente que não ajudamos a economizar. Geralmente ouvimos em nossas conversas que as empresas realmente boas têm uma média de utilização de suas estruturas de 20% a 30%, e estas são as boas. Muitas não são tão fortes. A nuvem nos permite a ter muitas vezes essa taxa de utilização.
Além disso, somos capazes de agregar centenas de milhares de clientes, com os mais variáveis usos e de geografias diversas, o que garante uma alta utilização da infraestrutura. E utilizar bem a infraestrutura é um direcionador econômico chave, porque se você tem uma alta utilização, você pode comprar menos servidores para atender à mesma carga, o que alguém com baixa utilização vai fazer com muita mais equipamentos. É importante lembrar que há custos ocultos que vão além do hardware e que são quase sempre esquecidos quando as empresas os avaliam, como estar atualizado com o design do data center, negociação de contratos, lidar com software legado, operar o data center, mover equipamentos, escalar e gerenciar crescimento físico são apenas alguns dos custos que a nuvem remove.
Por outro lado, vale a pena avaliar a história e o patrimônio da Amazon. Alto volume e negócios com margens baixas estão em nosso DNA. Trabalhamos para baixar custos e podemos levar isso para nossos clientes. Hoje, nossos preços são dezenas de vezes mais baixos do que quando começamos a operar, há cinco anos.
Mas o mais importante, a principal razão que ouvimos de empresas que estão se movendo para a nuvem é a habilidade de focar em inovação. Quando as empresas se concentram em infraestrutura, muitas vezes isso ocorre à custa da inovação, porque as mentes estão sendo utilizadas em outro lugar. Não se trata apenas de reduzir custos, mas de realocar recursos para ampliar a inovação. Isso é algo no qual a AWS acredita e que representa a importância da computação em nuvem.
CD – Então uma empresa que quer começar a usar a nuvem, deve começar por onde?
WV – A primeira coisa que eu digo aos nossos clientes é que não se trata de um tudo ou nada. Startups geralmente usam a nuvem para tudo porque elas não têm que lidar com sistemas legados e a proposição de valor, nestes casos, é grande. Quanto maiores as empresas, costumamos ver uma prova de conceito da nuvem. Ela permite que estas empresas entendam o que é rodar na nuvem e na AWS. Quando as corporações veem como os serviços desempenham bem operacionalmente, os benefícios de custo, com que rapidez elas podem provisionar hardware e os benefícios de não ter que gerenciar e escalar a infraestrutura, elas começam a tentar descobrir como usar mais e, muitas vezes, desenvolvem planos de migração de 12 a 24 meses.
Nós acreditamos que adotar uma abordagem incremental para a nuvem permite a estas grandes empresas molhar os pés, identificando determinadas aplicações para colocar na nuvem. É um primeiro passo sólido. Então quando estas empresas estiverem prontas para mover mais aplicativos, nós recomendamos permitir que diferentes áreas de negócios migrem em sua própria velocidade.
CD – Para onde vão os dados que estão na nuvem da AWS?
WV – Esta é uma questão comum. É importante lembrar que na AWS os clientes são donos de seus dados e tem controle total sobre eles. Quando uma empresa decide usar a AWS, ela escolhe em que região ela quer armazenar seus dados, e pode movê-los de lá a qualquer momento. A AWS não move dados.
CD – E sobre o suporte?
WV – Oferecemos uma série de planos de suporte para permitir que os clientes escolham o plano que atenda suas necessidades. Os planos premium, por exemplo, oferecem aos clientes um número ilimitado de atendimentos, com pagamento mensal e contratos de curto prazo. Os planos básicos dão aos clientes acesso livre a ferramentas como centro de recursos, dashboard de status de serviços, FAQs técnicos e fóruns de desenvolvimento. Alguns de nossos clientes preferem utilizar um terceiro para ajuda-los com seus desenvolvimentos em nuvem, e para isso trabalhamos com vários integradores de sistemas e ISVs que desenvolveram práticas para isso ou estão oferecendo suas soluções por meio da AWS.
CD – Já existem modelos de licenciamento de software que possam ser utilizados na nuvem?
WV – A AWS está trabalhando com ISVs corporativos com o objetivo de oferecer soluções de software em nossa nuvem. Esse movimento inclui negociações com a Oracle, Red Hat, IBM, SAP, Microsoft, ESRI, Safenet, Sage Software, Dassault e centenas de outros. Também há um número crescente de novas companhias de software que estão desenvolvendo suas ofertas a partir da nossa nuvem, como a Engina Yard, Heroku, Sonian, Rightscale, GoodData e outros.
Os ISVs contam com uma série de opções de licenciamento, permitindo que os clientes possam combinar o uso de seus softwares e da nuvem. Uma delas é a portabilidade de licença, que torna possível aos clientes manter seus ativos de software existentes, transferindo licenças tradicionais para uso em uma plataforma em nuvem. A portabilidade de licenças deixa que os consumidores tirem vantagem de suas licenças de software sem ter que investir o capital associado à construção de hardware ou despesas com administradores de sistemas.
Outra opção é o licenciamento utilitário, que permite ao cliente pagar exatamente pelo que usa e quando usa. Esse modelo também permite escalar ou reduzir o uso da solução facilmente, de acordo com a flutuação das necessidades de negócio. Finalmente, há o modelo SaaS, onde os ISVs fornecem acesso direto ao aplicativo, enquanto abstrai a plataforma em nuvem. Muitos ISVs contam com as três opções de licenciamento.
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