Concorrentes apontam falhas na operação do novo player. Dedalus, parceira da norte-americana, diz que reclamação é devido a migração de diversos clientes para recém-chegada.
CIO-UOL
Edileuza Soares
A promessa da Amazon Web Services (AWS), empresa de infraestrutura de TI pertencente a gigante de e-commerce norte-americana Amazon, de operar no Brasil com estratégia de preços baixos para acelerar a adoção de cloud computing, movimentou provedores locais. Alguns reagiram contra o modelo de atuação do novo player e outros acham que a chegada da empresa ao País vai estimular a vinda de outras companhias internacionais.
Os serviços de cloud da Amazon estão disponíveis no mercado brasileiro desde 15 de dezembro, quando a companhia lançou oficialmente a operação no País. Em visita a São Paulo, o vice-presidente mundial da Amazon Web Services (AWS), Andy Jassy, deu sinais de que a companhia daria trabalho aos concorrentes locais como Alog, Locaweb, Hostlocation, UOL Diveo, Tivit, entre outros.
Jassy garantiu que a prestadora de serviços veio para o Brasil com a estratégia de oferecer cloud a preços mais competitivos que os competidores por operar com grandes volumes e ter escala para repassar reduções de custos aos clientes.
Prestadores de serviços brasileiros avaliam que a nova concorrente levará algum tempo para ajustar sua operação, pois conta no Brasil apenas com a infraestrutura e depende da matriz, nos EUA, para cuidar da parte administrativa e suporte técnico.
Um presidente de um data center, ouvido pela reportagem da COMPUTERWORLD, que não quis se identificar, observou que as contratações dos serviços da AWS no Brasil são com cartão de crédito e em dólar, transação que, segundo ele, é muito aceita pelo pequeno desenvolvedor heavy user, mas que não é comum no mercado corporativo. Na sua opinião, o atendimento em inglês também é uma barreira.
“É complexo administrar uma operação dessas com atendimento e gestão externa”, disse o executivo, que acha que essa situação não deve ser definitiva, considerando que a AWS anunciou que tem intenção de atender a órgãos de governo, tipo de cliente que contrata serviço por meio de licitação e faz uma série de exigências.
“Se eles não possuírem estrutura administrativa no País nem estiverem de acordo com a legislação brasileira, não poderão vender cloud computing para serviços públicos”, disse o presidente do data center, que acredita que essas arestas serão resolvidas.
Para Gilberto Mautner, presidente da Locaweb, a chegada da AWS ao Brasil não traz nenhum impacto para sua operação. “Os preços deles são o dobro dos nossos e não acho que são nossos concorrentes”, acredita o executivo.
Ao comparar as ofertas de cloud da Amazon, ele afirma que a prestadora de serviços está entrando no País com pacotes muito distantes da realidade das pequenas empresas e star ups. Mautner dá o exemplo da contratação de um servidor de 2 GB de memória, com espaço de 50 gigas para armazenamento com backup que na Locaweb sai por 199 reais e na AWS por 360 reais, sem suporte técnico 24 horas em português.
Na opinião de Victor Arnaud, diretor de Marketing da Alog, o aumento da concorrência faz parte e é saudável a chegada da AWS. “A vinda deles mostra o potencial do Brasil para gerar negócios e deverá estimular outras empresas a fazer o mesmo”, avalia o executivo.
Arnaud destaca que a Alog, agora controlada pelo grupo Equinix, conta com data centers espalhados pelo mundo, e tem planos de trazer novos serviços para o Brasil. A companhia está em fase de negociação com parceiros internacionais para atuarem aqui e o executivo acredita que a chega da AWS pode acelerar esse processo. Esse movimento de novos players, segundo Arnaud, vai contribuir para o amadurecimento dos serviços de cloud computing e todos sairão ganhando.
Migração de clientes para a Amazon
Maurício Fernandes, presidente da Dedalus, uma das integrantes do ecossistema da AWS no Brasil, confirma que a Amazon realmente não oferece outras opções de pagamento, além do cartão de crédito, nem suporte em português para as empresas que contratam serviços pela internet. Entretanto, ele informa que os clientes da Dedalus não enfrentam essa dificuldade, pois contratam seus serviços de consultoria e todo atendimento e faturamento são realizados no Brasil.
O executivo considera que as reclamações sobre o modelo da nova competidora é uma reação contra a migração de clientes. A Dedalus é atualmente uma das empresas que vendem cloud computing da Amazon para organizações brasileiras, oferecendo consultoria e suporte técnico em português 24x7 para os que quiserem aderir ao novo modelo de compra de TI.
Segundo Fernandes, a AWS já conta com 60 clientes no Brasil contratados pela Dedalus. Entre os quais estão organizações grandes e de médio porte como a companhia aérea Gol, o site de compras coletivas Peixe Urbano, portal R7, Merk e Petrobras. Entre esses, 20 eram clientes que a Dedalus já hospedava aplicações em data centers da Amazon fora do Brasil antes de sua chegada aqui.
“Entre quatro a cinco empresas nos consultam diariamente sobre os serviços da AWS. O impacto que eles estão causando no mercado local é muito grande porque o Brasil não tinha experiência de fato em cloud computing e agora passa a ter”. O executivo destaca ainda que, além de custos altos e capacidade para atendimento aos clientes em larga escala, os SLAs desse serviço ainda são frágeis.
“Muitos dizem que tem nuvem, mas só no nome. Os processos deles ainda estão travados. A nuvem tem de ser grande e oferecer escala planetária para ser funcional”, diz o presidente da Dedalus. Por causa disso, Fernandes revela que a AWS em pouco tempo de operação com infraestrutura local já conquistou 16 clientes da concorrência.
Um desses clientes, cujo nome não foi revelado, é um grande varejista, que opera na internet. “Essa empresa recebe 2 milhões de visitas por mês e seu site ficou 15 minutos fora do ar. A empresa foi obrigada a se comunicar com seu prestador de serviço via chat, sem obter resposta. A concorrência está perdendo clientes não por causa de preços, mas por falta de qualidade de serviços”, afirma.
O presidente da Dedalus acredita que a AWS vai mudar o cenário da prestação de cloud computing no Brasil, obrigando os prestadores de serviços a rever seus modelos. Essa mudança, segundo ele, deverá favorecer não somente grandes companhias, mas também pequenos empreendimentos, que vão poder comprar infraestrutura de TI na nuvem e escalar seu negócio de acordo com a necessidade.
Para Fernandes, é uma situação bastante diferente da época da bolha da internet, quando muitas pontocom quebraram porque não tinham condições de manter seus negócios no ar.
Amazon no Brasil
A Amazon está atendendo ao Brasil por meio de dois DATACENTERS, instalados em locais diferentes no Estado de São Paulo. Jassy não revelou a localização nem se o espaço utilizado é empreendimento próprio ou de terceiros. Entretanto, fontes do mercado garantem que a companhia contratou infraestutura de provedores nacionais.
Eles argumentam não que há nenhuma construção nova de DATACENTER em São Paulo e que é difícil erguer obras físicas em segredo, sem que contratação dos equipamentos de nobreak e fornecedores de energia. Rumores dão conta de que os possíveis DATACENTERS utilizados para a operação da AWS no Brasil são os da Tivit, em São Paulo, e o do grupo mineiro Algar, localizado na cidade de Campinas, no interior Paulista. Nenhuma dessas empresas comenta o assunto.
0 comentários:
Postar um comentário